Carros antigos na Vila Mariana têm dono e aguardam venda

Os carros antigos no pátio de uma antiga revenda na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, pertencem ao empresário Arnaldo Badra e não estão abandonados, segundo ele.

A loja abriu em 1988, fundada por um amigo de Badra. O empresário entrou como fornecedor, tornou-se sócio e, mais tarde, comprou o imóvel.

Em 2023, um vídeo no YouTube chamou o endereço de “loja de carros abandonada” e ultrapassou 1,3 milhão de visualizações. Vizinhos dizem que alguns veículos estão no mesmo local há mais de duas décadas.

Uma visita ao pátio encontrou seis carros, entre eles modelos antigos que Badra diz manter à venda. A história aborda a trajetória da revenda, os veículos deixados no terreno e os planos do proprietário para o imóvel.

Como a revenda da Vila Mariana deixou de funcionar

A parceria de Arnaldo Badra com o fundador da revenda durou cerca de dois anos. Depois que o amigo voltou ao ramo de postos de combustíveis, Badra comprou a parte dele e, mais tarde, também adquiriu o imóvel.

A loja comercializava veículos comuns, descritos por Badra como carros de uso diário. Com o passar dos anos, ele começou a guardar alguns modelos antigos para si e disse ter criado afeição por eles.

O empresário passou a se dedicar a outros negócios, entre eles o aluguel de galpões industriais, e a revenda deixou de operar. Imagens do Google Street View registram a mudança no endereço: em 2010 e 2011, havia letreiro e toldos azuis; em 2014, os toldos estavam sem lona e, em 2016, apareceu uma placa de aluguel.

Os carros antigos que ocupam o pátio

Entre os carros antigos na Vila Mariana está um Chevrolet Monza Classic 1987 de quatro portas, com motor 2.0, câmbio automático e rodas de liga leve da versão. Badra contou que comprou o veículo de uma diretora de escola da região e que foi com ele ao próprio casamento.



Outro modelo visível da entrada é um Fusca branco de 1986, ano anterior à interrupção da produção do carro no Brasil pela Volkswagen. No pátio também está um Volkswagen Passat TS 1978, que ainda conserva a placa amarela, padrão usado antes de 1990; segundo Badra, ele foi comprado de uma loja vizinha.

O Peugeot 405 preto veio de um amigo e serviu por um período como carro de uso diário do proprietário, antes de ficar parado. Badra reconheceu que deixou o veículo se deteriorar ao ar livre; também estão no terreno um Ford Taurus grená, comprado do cunhado, e um Renault 19 hatch de três portas.

Nos fundos, sob uma cobertura, fica um Fusca vermelho 1969. Apesar da pintura desbotada e da ausência dos para-choques, o painel mantém a cor original, e o carro ainda tem o volante de fábrica, o manual do Sedan 1300 e a chave original numerada; Badra afirmou que o veículo é 100% original e que precisa ser polido e montado.

Preços, planos para os veículos e futuro do imóvel

Os valores mencionados para os carros variaram conforme a ocasião. Em 2020, Badra pedia de R$ 6.500 pelo Passat a R$ 16.500 pelo Monza e pelo Fusca 1986; para a reportagem, afirmou que pretendia conseguir a partir de R$ 40 mil por veículo.

O proprietário disse que mantém como referência o custo de compra e relatou receber ofertas de cerca de R$ 2.000 por um carro, que considera baixas. Ele também afirmou que não costuma pechinchar e descreveu como especuladores os interessados que, em sua avaliação, procuram comprar barato para revender por mais.

Badra disse que só voltará a cuidar dos veículos depois de resolver questões relacionadas ao negócio de aluguel de galpões. A intenção, segundo ele, é deixá-los originais e tentar obter mais do que valem; até lá, os carros permanecem expostos ao tempo no pátio da antiga revenda.

O terreno não foi reformado porque, segundo o proprietário, cada interessado apresenta um projeto diferente para o espaço. A reportagem encontrou o imóvel de 330 m² anunciado por R$ 9,9 milhões; se o ponto for alugado ou vendido, os carros podem sair, a depender da proposta.



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